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Treinos de Sono, Método Cry-it-out

Deixar um bebé a chorar não ensina nada sobre sono, ensina que não adianta chamar porque ninguém vem.


Nem sempre os bebés deixados a chorar para adormecer, param de chorar. Mas, quando param, significa que desistiram: depois de tanto chamar e pedir e comunicar, através do choro, que não estava bem, ninguém veio, ninguém respondeu, ninguém me escutou ou acudiu.

Esta é a mensagem.

Choro é comunicação. Aliás, chorar é mesmo a única forma que o bebé tem de comunicar quando não está bem. Será que extinguir esta resposta é adaptativo? Será positivo para o bebé?

Um dado importante: é durante o sono que se dá a consolidação da memória, ao ser transportada para as estruturas de armazenamento a longo prazo. Isso faz pensar nas memórias que um bebé deixado a chorar leva para o seu sono e que vão ficar na sua vida.


A investigadora Helen Ball concluiu que os bebés param de chorar não porque aprenderam a adormecer sozinhos ou se regularam, mas porque entram num processo de conservação de energia. Uma vez que o cuidador deixa de ser de confiança, e, em risco de não terem as necessidades respondidas os bebés (geneticamente preparados para a sobrevivência) param de chorar. Mas, os estudos mostram que os níveis de cortisol continuam elevados revelando elevados níveis de stress.

O que se consegue com este método é a inibição de uma resposta adaptativa importantíssima por parte do bebé. Inibiu-se a sua única forma de comunicação perante o desconforto.


Acreditar que parou de chorar porque se autorregulou é o mesmo que acreditar que nos adultos, parar de chorar é igual a acabar com uma angústia. Quantas vezes paramos ou não choramos, mas os sentimentos continuam connosco?


Efeitos a curto e longo prazo de deixar o bebé a chorar


O método cry-it-out (deixar o bebé a chorar) é um método de extinção. Ou seja, leva à extinção do comportamento, não cria uma boa relação com o sono, nem ensina o bebé a autorregular-se.


Mas quais os riscos de deixar um bebé a chorar, sem qualquer resposta da nossa parte?


- A elevação dos níveis de stress e ansiedade pode criar danos nas sinapses que se estão a formar no cérebro. Note-se que, o cérebro do bebé está em rápido crescimento e desenvolvimento e as condições ambientais em que se desenvolve são da máxima importância. Quando os níveis de stress aumentam vai ser libertado cortisol em excesso. Os níveis elevados de cortisol são prejudiciais aos neurónios.


- Prejudica a capacidade de autorregulação. Os bebés não se regulam sozinhos, mas co regulam-se. Ou seja, é necessária a presença e ligação a um adulto para se desenvolver esta capacidade. É na resposta consistente às necessidades do bebé que ele aprende a construir a confiança e calma. À medida que observam a consistência nas respostas dos cuidadores, desenvolvem expectativas de confiança nas pessoas à volta e no mundo. Quando esta resposta não surge, a confiança é interrompida e a capacidade de autorregulação é afetada.


- A responsividade dos cuidadores às necessidades do bebé está relacionada com um desenvolvimento da criança e futuro adulto mais saudável, ou seja, menores níveis de depressão, mais empatia, melhores competências sociais, melhor capacidade de autorregulação. A falta de responsividade está associada a menores desempenhos nestas dimensões.



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